o que faz de si diferente
É impressionante o quanto me julgo ao observar os outros. Todos os dias, a minha atenção está em sentido à procura de melhores maneiras de ser, observando o que os outros fazem. Se alguém agir de uma forma que já conheço sinto-me mais forte e capaz. Se alguém faz alguma coisa que me surpreende e ultrapassa a minha capacidade até então, sinto-me diminuído e fraco.
Acho que este processo é comum a muita gente. Não é só em mim
que observo a perseguição para ser melhor, escolhendo os melhores exemplos.
Vejo muita gente inchada e rebaixada. O problema existe e acredito que muita
desta gente não conheça outra saída. Argumentariam que somos feitos do que
observamos e que se não fossem os outros, em que é que nos deveríamos
basear?A verdade é que nem inchado nem rebaixado são sensações que valham a
pena. Provêm do mesmo escuro e basta uma para anular a outra. Mesmo a
pessoa que se sente muitas vezes inchada sabe que se pode sentir rebaixada
porque, até pode não se lembrar, mas já o foi.
O objetivo deste post é publicar o que me faz sentir capaz sem precisar de olhar para o lado. Comigo aconteceu assim: - Comecei a reparar em tudo aquilo que não gostava em mim. Comecei a perceber que o que não gostava em mim era o que já tinha visto melhor em alguém. Ou seja, aquilo que não gostava em mim tinha necessariamente um termo de comparação. E eu nunca gostei de ser comparado, gostei sempre de ser distinguido. No entanto, dado o esforço, cheguei a um ponto em que este trabalho me esgotou. Não conseguia mais manter tamanho estatuto, baseado em tamanhas exigências, ser bom em tudo...
Ao ver filmes comecei a reparar que gostava de muitos
personagens das quais a vida eu nunca desejaria. Comecei a observar que me ria
mais com pessoas que faziam mais disparates. Comecei a ter noção que as
pessoas, na verdade, não admiravam os grandes exemplos porque se sentiam
diminuídas. Quanto muito submetiam-se ao seu poder.
Com isto e com o cansaço acumulado decidi experimentar algo novo. E se eu não tiver que sair bem na fotografia? Será que serei posto para canto?
Os resultados foram impressionantes e eu nunca mais desejei ter a vida de ninguém. Quanto menos procurei mostrar capacidades mais os outros se aproximaram de mim. Quanto mais mostrei que errei ou falhei mais os outros me consolaram com a sua compreensão. A explicação expôs-se: Ao vermos alguém mostrar atitudes que temos mas escondemos somos empoderados para nos expôrmos também, ou pelo menos para nos sentirmo-nos mais aceites.
Esta foi a grande descoberta. Todas as pessoas são diferentes. Em 7 biliões não há uma pessoa igual à outra. O que nos aproxima é o desafio interior e este só pode ser ultrapassado quando houver abertura para nos expormos, para sermos nós próprios, independentemente das consequências.
Procure perceber isto por si mesmo. Comece hoje, quando for
fazer ou dizer algo que foi buscar a outra pessoa pare. Não o faça! Permita-se
uns segundos e ordene silêncio interior. Depois de se silenciar observe a
situação e diga ou faça o que é verdade para si.Vai reparar que as suas certezas vão cair. A sua ação ou afirmação vai ser
muito menos confiante sobre o assunto mas vão acontecer 2 coisas:
1- Vai-se sentir livre e honesta consigo.
2- Se estiver alguém consigo, essa pessoa ficará impressionada e agradecida pela sua coragem em se mostrar.Vale a pena experimentarmos sermos nós, "a solo". Estarei aqui para ajudar.
Com o tempo e quanto mais experimentarmos isto, mais veremos que o que somos realmente está muito para além do que parecemos. O mundo que se esconde na nossa criatividade é mais vasto que os oceanos mas se acharmos sempre que não sabemos nadar nem sequer entramos na água.